CEM ANOS Hoje, dia 06/10/2026, meu pai, Dorvalino Mendes, ou Bolinha, como mais conhecido foi, estaria fazendo 100 anos. 100 anos era a idade que ele, seguidamente em conversas, dizia, daquele modo convicto e ao mesmo tempo displicente, iria morrer. Mas tem um detalhe, ele era tão positivo em tudo que dizia e fazia, que não dizia morrer com 100 anos, e sim viveria até os 100 anos, e só depois dos 100 poderia ir embora. Não estou escrevendo sobre isso com pesar, com tristeza, com saudade, nem muito menos vontade de chorar. Estou escrevendo apenas para ficar registrada uma data, um marco que seria muito muito importante para ele e para todos nós da família e muitos amigos que tinha. Ele dizia que iria até os 100 porque tinha, realmente, uma saúde invejável, uma disposição impressionante e sempre um sorriso, maroto, na verdade, em seus olhos que dias eram verdes claros, outros acinzentados, outros cor de mel claro. O seu rosto todo sorria. Não lembro da cara do meu pai bravo. Vi...
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NUNCA O ESQUECEREI (reescrita)
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JAMAIS O ESQUECEREI Estava trabalhando mas meus pensamentos não se acomodavam e muito menos conseguia me concentrar para analisar aqueles documentos que eram minha responsabilidade classificar cada um conforme seu uso para a empresa, pois na contabilidade, é assim que funciona, e eu trabalhava no setor contábil de uma empresa de construção civil, o que exigia muita concentração pois o compromisso era grande por ser um tipo de trabalho de extrema responsabilidade, com consequências drásticas caso algum documento fosse classificado de forma errada e lançada nos livros Diário e Razão, modificando o resultado apurado no final do exercício contábil da empresa, se deu lucro ou prejuízo. Meu trabalho sempre foi feito com muita dedicação e sem problemas. Minha vida particular é que não estava indo bem. Sabia que nunca se deve deixar interferir e muito menos misturar os assuntos particulares com os do trabalho; e assim eu fazia, mas naquele momento, naqueles dias, eu est...
O FUNDO DO POÇO (CONTO ERÓTICO)
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O FUNDO DO POÇO Estava deitado sobre a grama do jardim de uma bela casa. Não sabia que casa era, de onde era e nem mesmo a quem pertencia; para mim era apenas mais uma casa de grã-finos em meio a outras que ali tinha. Meu olhar se perdia através daquele imenso jardim e não conseguia ver o final daquela imensa mansão. Mas alguma coisa me perturbava, assim como quando se está sendo observado. Mas em lugar algum eu via alguma pessoa. Estava sozinho. Senti um olhar pousar sobre meu corpo, relaxado e perdido na beleza da casa. Escutei passos atrás de mim - eram uns passos suaves e delicados-, só poderia ser de mulher, pela maciez do caminhar. Permaneci imóvel, como se nada houvesse escutado, fechei os olhos para fazer-me de cansado. Meu corpo tremia involuntariamente. Não sei se era nervosismo de saber ter alguém às minhas costas, ou se era pela possibilidade de ser uma mulher que... Tremia mais ainda. Parecia que não estava mais ali, me transportara para outro lugar, para...
O QUE VEJO NA POSTERIDADE!
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O QUE VEJO NA POSTERIDADE! Lendo o jornal impresso, do meu dia a dia, uma reportagem falando de um senhor com 85 anos, que vivia de conserto de objetos antigos, e por exigência e critério dele, somente os de 1960 pra baixo. Diz ele que não adianta nem pedir pois não conserta outros equipamentos ou máquinas mais novos. Comecei a divagar, como sempre faço nas minhas leituras, principalmente com assuntos adversos e curiosos como esse. Fiquei a imaginar o que vai acontecer tão logo ele morra, mesmo que referiram-se a ele como uma pessoa sadia, tanto fisica quanto mentalmente. Os filhos, pelo que dá a entender a reportagem, não dão a mínima; os netos, com certeza, muito menos vão querer dar continuidade a algo que é ultrapassado, antigo, velho, e já deveria ser tratado como quinquilharia e não objeto. Imaginei tudo o que ele preservou, consertou, se dedicou a reconstruir, se dedicou a voltar a funcionar, com toda delicadeza, carinho, destreza e aptidão por décadas a fio não passariam ...
A CASA COM VARANDÃO!
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A CASA COM VARANDÃO! A casa ficava no alto, não chegava a ser uma colina, mas era no alto, e podia-se enxergá-la de longe, quando se ia chegando na cidade. O centro da cidade era meio longinho de onde localizava-se a casa do meu avô, que encontrava-se acamado e nós íamos visitá-lo, mesmo contrariados, embora eu até gostasse de ir só para ter o prazer de avistar e visitar a casa que ele morava. Tínhamos que descer no centro e darmos uma boa caminhada, que me fazia cansar e reclamar para minha mãe – normalmente era sempre eu e meus irmãos, algumas vezes apenas eu acompanhava minha mãe naquela visita ao seu pai emprestado, que era, na verdade, seu padrinho, mas a considerava como filha e a criou desde cedo, pois seus pais morreram quando tinha apenas oito e doze anos. Na verdade a reclamação não era pelo cansaço mas sim pela demora de chegarmos até à casa e aproveitarmos tudo o que ela tinha para ...
TEMPESTADE DE DEGRADAÇÃO
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TEMPESTADE DE DEGRADAÇÃO As nuvens cinzentas pairavam sobre a cidade, dando um ar triste e melancólico, com uma visão monstruosa e degradante, como se todos os fantasmas tivessem baixado naquela hora para falarem das coisas que estavam acontecendo por ali. Era o vento que assobiava fortemente nas árvores caducas e já sem folhas pelo tempo. Eram os prédios encharcados pela chuva que cessara recentemente tirando mais ainda a pintura que já se descascava pelo desgaste ocasionado pelo cansaço de aturar as intempéries daquele clima pavoroso que se fazia ultimamente na vida das pessoas daquela cidade. A cidade chorava convulsivamente. Nenhum de seus moradores, temerosos com a tempestade, apareciam. A covardia invadia cada um de seus moradores e os exilava em suas próprias moradias. Alguns rezavam, outros murmuravam, alguns choravam desesperadas. Mas também tinha aqueles que nada sentiam e não se importavam com o que estivesse acontecendo lá fora, porém, mantinham-se sem nem ir às...