O FUNDO DO POÇO (CONTO ERÓTICO)
O FUNDO DO POÇO
Estava deitado sobre a grama do jardim de uma bela casa. Não
sabia que casa era, de onde era e nem mesmo a quem pertencia; para mim era
apenas mais uma casa de grã-finos em meio a outras que ali tinha.
Meu olhar se perdia através daquele imenso jardim e não
conseguia ver o final daquela imensa mansão. Mas alguma coisa me perturbava,
assim como quando se está sendo observado. Mas em lugar algum eu via alguma
pessoa. Estava sozinho.
Senti um olhar pousar sobre meu corpo, relaxado e perdido na
beleza da casa.
Escutei passos atrás de mim - eram uns passos suaves e
delicados-, só poderia ser de mulher, pela maciez do caminhar.
Permaneci imóvel, como se nada houvesse escutado, fechei os
olhos para fazer-me de cansado.
Meu corpo tremia involuntariamente. Não sei se era nervosismo
de saber ter alguém às minhas costas, ou se era pela possibilidade de ser uma
mulher que... Tremia mais ainda. Parecia que não estava mais ali, me
transportara para outro lugar, para outra dimensão...
Senti seu perfume ao tocar meu rosto. Sua pele era macia e
delicada. Eram verdadeiras mãos de anjo. Suas mãos foram explorando meu corpo
lentamente, enquanto seu corpo se aproximava mais do meu e me fazia dançar ao
som daquelas notas perfumadas que exalavam de seu corpo.
Sinto o tocar de suas mãos sobre meu peito, alisando-me,
fazendo-me carinho como ninguém jamais fizera.
Não tinha coragem de abrir os olhos, nem tampouco de pensar
em fugir dali.
Meu corpo tremeu num frenesi total ao aproximar-se de seus
seio ao meu rosto. Seus mamilos entumecidos, feito lanças a invadir minha boca
que se abria numa vontade imensa de sugar, enquanto ela ia enchendo o céu da
minha boca, o céu de ilimitado prazer.
Estava completamente tomado pela excitação.
Não sei como chegara a tanto mas quando percebi, já estava
sem roupas, completamente nu. Meu corpo completamente exposto e percebia seu
olhar curioso para minha imensa bengala que me fugira ao controle e agora estava
guiando a si própria, sempre em direção ao fundo de um lindo poço, escondido sobre
uma linda e quente floresta. Enquanto ela se ajeitava para sentar sobre mim,
segurava aquele mastro com êxtase, suas mãos deslizavam sobre ele, massageando,
lambuzando suas mãos com o melzinho que que saía dele, e ela o guiando para
cumprir com sua missão, aproximando-se loucamente, sentando-se com muito tesão,
fazendo movimentos enlouquecedores. Assim ele pulsava loucamente e se inundava
nas águas daquele delicioso poço, desconhecido mas de águas quentes e
saborosas.
Ela me fulminava com o olhar sedutor, e eu ainda com os olhos
cerrados, sem coragem de abri-los. Toquei-lhe o corpo e percebera que também
estava nua e ao toque sentia as suas formas perfeitas que me deixavam mais
desejoso ainda e, louco para entrar mais ainda em sua floresta e atirar-me no
fundo, bem no fundo daquele delicioso poço, afogando-me em meio a tanto desejo.
Mas ela que tomava as ´redeas do jogo de sedução. Ela ia e vinha, gemendo e se
deliciando. Eu ainda de olhos fechados, com medo de abri-los e tudo se esvair,
num sonho que se tornaria pesadelo.
Sua aproximação foi momentânea e já esperada. Ela deitou-se
sobre mim, fazendo-me sentir seus seios tocando meu peito peludo. Beijou-me
ardentemente. Mantendo-me dentro dela. Sua língua era quente e molhada me
explorando demonstrando ter muita experiência no que estava fazendo. Sentia o
calor de sua saliva ao tocar toda a extensão dos meus lábios. Abracei-a já
louco por mais amor. Ela agarrou-se a mim acariciando meu corpo inteiro.
Nunca fui tão bem tratado como naquele momento, ela era muito
especial e eu nem mesmo a vira, porque ainda permanecia de olhos fechados.
Tirou-me de dentro de dela, mas não o largou. O acariciava e
me fazia louco de prazer.
Agora sua boca beijava novamente meu corpo todo.
De repente senti seu corpo descendo, e seu tocar de lábios na
minha bengala que continuava vigorosa e pronta para mais...
Queria mais. Gemia e pedia mais. Ela não me escutava e continuava
movimentando aqueles lábios carnudos fazendo-me delirar. Até que...
Novamente o fundo do poço, que já sentira, era explorado, mas
o fundo não chegava nunca, minha ansiedade aumentando, pois não conseguia
afogar-me. Queria morrer no seu interior, para tornar a viver depois de algum
tempo.
Não encontrei água, apenas um vazio profundo que me dava um
mal estar tremendo.
Estremeci. Caí. Morri.
Pensei encontrar no poço o que normalmente encontro, mas nem
sempre o que se pensa é o que é. Me senti sozinho novamente, abandonado.
Abri os olhos e não vi ninguém ao meu lado. Ninguém e nem
nada, apenas eu, estava nu, completamente nu. Mas tudo me era estranho, muito
estranho. Não sabia nem mesmo onde estava. Completamente transtornado por tudo
que passara. Olhei novamente ao meu redor e o que vi me arrebatou, me arrasou,
pois era uma sala imensa, vazia, toda branca encardida do sanatório que haviam
me colocado há alguns dias.
Cerrei meus olhos na tentativa de esconder e fugir da cruel
realidade e voltar às cenas que vivera... O fundo do poço se aproximava.
(Conto escrito em 05/10/1978)
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