ACEITAÇÃO
ACEITAÇÃO
Agora, há poucos minutos, estava eu conversando no grupo
CIDADÕES ESPANHÓIS, composto por meus filhos, nora, netas, genros, falávamos
sobre as postagens nas redes sociais, e eu, comentei que não gosto muito de
visualizar Instagram, embora faça postagens nele, assim como no Reels e Story
do Facebook. Uso muito facebook, e, diariamente faço postagens de qualquer
coisa. Então minha filha disse que Facebook é coisa de velho. Lavando louça,
comecei a pensar sobre o que ela disse e respondi que é bem coisa de véio, pois
meus seguidores e comentários que visualizam minhas postagens são, na maioria,
velhos, tendo pessoas de todas as idades, claro.
Parei de lavar a louça e vim escrever o que meu pensamento
começou a bombardear sobre o que respondi, sendo uma ACEITAÇÃO, de que sou
velho, pois tenho 67 anos, em 01/09/2026, faço 68, e seria ridículo eu dizer
que não. A diferença, conforme pensei, é que eu aceito ser velho pela idade e
por várias coisas que me limito a fazer e realizar por estar nessa idade,
porém, meus pensamentos e ideias que sempre tive não me deixam pensar ser
velho.
Pessoa velha não aceita mudanças, prefere ficar na sua zona
de conforto para não ter que ter algum trabalho, pois já está velho e não
precisa...; não aceita opinião, mesmo estando errado, pois se acomodou no seu
marasmo e recordações de quando era jovem e adulto que fica estagnado na
mesmice, mesmo ciente de estar errado, pelo menos não se compromete pelo estado
de velhice. Eu estou sempre buscando mudanças, não gosto, não suporto as coisas
sempre da mesma maneira, que não apresentam desafios; e as pessoas fazem tudo
mecanicamente, não precisa pensar, eu gosto de estar sempre pensando, detesto
rotina.
Já escrevi sobre Rotina. Detesto rotina, nunca gostei,
sempre achei massacrante fazer tudo do mesmo jeito a vida toda (em cursos,
consultorias e palestras sobre Qualidade Total, tinha o momento dos 5 S da
Qualidade, e a minha maior dificuldade era falar sobre Padronização, pois não
acreditava e nem acredito em nada padronizado, não gosto, me parece muito
estagnado, fechado, sem graça).
A rotina também foi uma das minhas características que eu
tive que me adaptar e aceitar, pois as pessoas preferem adotar rotinas e
aceitar as que lhes são impostas, do que irem contra o sistema o qual
participam, seja ele qual for. Eu sempre fui meio rebelde em relação a isso,
por isso mesmo aceitava as críticas e repreensões que me cabiam por não cumprir
com as normas, regras que se me impunham por todos os lugares os quais exerci
alguma função, principalmente como professor.
Pensei também, enquanto ainda estava lavando a louça, em
como as pessoas tem dificuldade de se aceitar, tanto, e principalmente,
fisicamente quanto em relação ao seu psicológico, seu modo de ser, seu modo de
estar.
Pensei então em ser careca. Conheci e conheço muitas e
muitas pessoas que não se aceitam em ser carecas. Eu gosto. Tinha uma cabeleira
imensa, farta, mas, aos 19 anos começaram a me abandonar, foram indo embora e
me deixando a cada ano mais calvo até ficar como sou, careca. E essa situação
nunca me incomodou. As pessoas me davam receitas de como recuperar os cabelos,
bem como centenas de informações e dicas de como deixar de ser careca. Eu simplesmente
dizia que não me importava, até gostava. Minhas netas me chamam de Vô Careca,
meus alunos me diferenciavam ao me citar, como o professor careca, baixinho de óculos, barbudo. Muitas brincadeiras fizeram comigo por eu ter a careca
brilhante, então dizia que passava tacolaque. Tem pessoas que se tornam
ridículas ao querer encobrir algo que a natureza está mostrando, deixando
fiapos de cabelos longos para tirarem de qualquer lugar para disfarçar a
carequice. Se a natureza assim quer, porque irei contra?
Outra aceitação, que é muito forte e acontece com a maioria
das pessoas é em relação ao seu corpo. Atualmente mais ainda, com essa
massificação da ideia de fazer academia, exercícios e tomar suplementos para
deixar o corpo turbinado. Realmente, a academia, musculação deixa o corpo
bonito, torneado e definido. Eu fiz, por um ano, mas tive que parar porque meu
braço quebrado aos 6 anos, me deu problema – motivo pelo qual nunca tinha feito
pois sabia da grande limitação que ele(o braço) tinha desde sempre -, mas,
devido a tanta insistência por tantas pessoas, fui para a academia, com
personal (excelente personal, cuidadosa e profissional). Meu corpo começou a se
transformar e gostei do resultado, até que o braço estragado deu sinal de que
não daria para continuar.
Na academia via muitas pessoas, homens, mulheres, jovens,
maduras e alguns tão velhos quanto eu, praticando exercícios. Idosos buscam a
saúde, para manterem-se caminhando, articulados. Alguns, principalmente jovens,
exagerados, pois queriam resultado imediato, para exporem seus músculos
extremamente definidos, parecendo um orangotango caminhando, com os braços
abertos pois os músculos se estenderam tanto que não mais comportavam os braços
fechados normalmente, assim como suas pernas e assim vai. Eram vários tipos de
pessoas com o mesmo objetivo: definirem seus corpos e ficarem todos
massificados. Porque? Aceitação. Não se aceitavam como eram, pois o mundo, a
sociedade, não aceita mais pessoas que não aderem ao que a massa está impondo. A
massificação traz à tona a falta de personalidade.
Convivi com muitas pessoas que não se aceitavam como eram, e
faziam dietas mirabolantes na tentativa de se manterem ou chegarem a ter um
corpo legal, conforme os padrões que estavam impondo, não se dando conta que
estavam se destruindo, pois cada um tem uma genética, sua ou familiar e não
adianta fazer horrores de coisas se o teu biotipo é de outra forma e não como a
sociedade quer e diz ser a ideal. O ideal é sermos felizes como somos: com
barriga, ou sem barriga (aliás, a maioria das pessoas com a idade vão
adquirindo barriga – observem os artistas, que precisam da aparência, como
também criam barrigas, rugas, sinais das velhice-; com rugas ou sem rugas; com
cabelos brancos ou grisalhos e não mais pretos; cabelos crespos ou lisos. Daí
as indústrias de cosméticos enriquecem pois a demanda por produtos para evitar tudo
isso, para esconder e disfarçar os sinais de envelhecimento, de amadurecimento,
são tão fortes e necessários que as pessoas se atiram em produtos, deixando até
de comer para poderem comprar e fazer reparos estéticos. Eu uso alguns
produtos, mas não por não gostar de mim como sou, mas para manter o que não sou
e não tenho mais. Uso um creme recomendado por dermatologista porque minha pele
está ressecada demais, uso protetor solar porque a careca exposta resulta em
bolhas, pois já tenho fortes sinais de ocorrências.
Tudo isso que relatei até o momento é devido a falta de ACEITAÇÃO,
de como é e como está.
Tem pessoas que não olham para si, apenas olham para os outros
e querem ser como elas, em todos os sentidos. Pura falta de segurança e amor
próprio. Quer ser como outras pessoas esquecendo-se de dar valor a si mesmas.
A falta de aceitação é um problema que não precisa ser
resolvido apenas fazendo terapia, tratamento ou o que seja, basta a pessoa
olhar para dentro de si, olhar no espelho e se ver com todo o poder e beleza única
que tem. Se olhar com outros olhos que não os olhos do menosprezo.
Nosso corpo é apenas uma carcaça, o que importa é termos uma
mente brilhante, pensante e funcionando bem.
Aceite-se como és, fazendo as mudanças, no que for possível
e apenas necessárias, sem prejudicar o teu interior e deixar de ser quem tu
verdadeiramente és.
JOSÉ FERNANDO MENDES – 13h39 – 06/01/2026
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