PRISÃO
PRISÃO
Quando pronunciamos a palavra prisão, ou a lemos, ou a escutamos, a primeira coisa, o primeiro pensamento que vem em nossa mente é um sentimento automático e momentâneo, instantâneo de tristeza, de algo ruim, de algo negativo muito forte.
Quase sempre se fala de prisão relacionando-se com cadeia representando isolamento para alguém que cometeu algo fora do meio em que vive e convive; também temos a prisão de contraventores, que são pessoas que cometeram a mesma falta social e estão sendo punidos com o corte da liberdade de ir e vir; assim como acontece com os criminosos, que cometem faltas mais graves ainda, nos levando a pensar imediatamente em assassinato, homicídio, feminicídio - atualmente é o que mais se houve e se vê em jornais e mídias, diariamente - pois se o fulano está sendo levado à prisão por ser um criminosos é a esse pensamento que nos reportamos.
Porém, quero falar de uma outra prisão que nós, seres humanos, seja qual for: criança, jovem, adulto, idoso; homem, mulher; não importa sendo bonito(a) ou feio(a); rico(a) ou pobre sendo irrelevante o quanto tem de dinheiro, tem de grana, muito menos como adquiriu essa riqueza, ou como chegou a tal pobreza; dotado de inteligência ou ignorante, subtraído da capacidade de um intelecto que leva a pessoa a pelo menos tentar ser alguém.
Sobre isso que vou falar: a prisão por estar tentando ser alguém.
Todas as pessoas, todos nós, seres humanos temos capacidade intelectual, basta colocarmos a prova essa capacidade e fazermos com que haja um desenvolvimento no passar do tempo, digamos idade, à medida que vai tendo contato com a vida, convivendo com pessoas, principalmente ao frequentar escola - que já faz alguns muitos anos que está acontecendo muito cedo, inclusive passando as creches (estabelecimentos que cuidavam de crianças para que seus pais pudessem trabalhar) a serem denominadas escolinhas, pois não mais apenas cuidam do bem estar das crianças, ainda bebês, mas traz a introdução de um ensino, levando as crianças a se acostumarem com conteúdos a serem assimilados enquanto estão sendo cuidadas.
Esse excesso de informação, excesso de conteúdos que começam a enfiar na cabeça, no pensamento dos bebês, das crianças, é que está, a meu ver, do meu ponto de vista , levando à estafa prematura quando começa a frequentar a escola regular, onde ali deveria ser o momento de começar a receber os estímulos com os conteúdos apropriados para sua faixa etária, mas, pelo contrário, já está sobrecarregado de informações, de cobranças e exigências para ser considerado apto, ser denominado inteligente, ser condecorado como o melhor, merecendo a coroa, o cetro de criança inteligente, com um grande futuro pela frente, pois demonstra isso e aquilo e aquilo mais, tendo um diferencial diante os demais do grupo, e assim, os educadores, professores, ou tias como como são chamados, são elevados a patamares maiores por serem profissionais competentes que conseguem levar seus pupilos a realizarem e executarem coisas, teatros com apresentações bizarras, mas interessantes, onde se percebe realmente o potencial que as crianças tem de realizarem aquilo que a professora está propondo. Até quando?
E aquela criança que não quer? Que se nega a participar, como ele é chamado. como ele é visto? Como ele é tratado? Então a escola, com grande comprometimento, interesse e cuidado com seus educandos, o encaminha, chamando seus pais, para um psicólogo pois seu filho não está se adaptando, deixando seus pais atônitos mediante tamanha incapacidade de seu filho ou filha, que em casa demonstra um potencial exponencial, mas a escola diz que não (passei por isso). A criança precisa de atendimento, precisa de tratamento. Isso é prisão. Ninguém pergunta ou pensa o motivo daquela criança não estar respondendo às atividades solicitadas. Ela já está dando sinais de estar entrando numa prisão como uma teia de aranha. A criança já esta entrando em sua prisão de pensamentos, prisão de atitudes, prisão de movimentos, prisão de vontades, prisão de iniciativa, pois estão discriminando-a, rotulando-a como incapaz - claro que não é essa a intenção da escola, e de seus profissionais, eles querem ver todos crescendo intelectualmente, mas não percebem que estão isolando, estão causando prejuízos à moral, à paz, à vida daquele ser que está sob suas responsabilidades. O pior, é que os próprios pais querem que isso aconteça, que as escolas correspondam ao valor alto que estão pagando para seus filhos ficarem depositados nesses espaços. Os pais também estão numa prisão da rotina de vencer na vida e querer o sucesso de uma família que está cada vez mais carente de união, de conversa, de bate-papo, de convivência, mas por ser moderno e para seus filhos não se sentirem excluídos vão enchendo-os de todo tipo de tecnologia porque eles tem que ser assim como todos são e tem os apetrechos de uma tecnologia cada vez mais capaz de aprisionar essas crianças, assim como aos adultos, com conteúdos envolventes, imagens coloridas excessivamente, movimentos rápidos, que é para fixar o olhar, o pensamento, a ideia e principalmente, a vida das pessoas, tornando-os dependentes e sentindo-se bravos, agitados, irados e revoltados caso sejam tolhidos dessa bela diversão e entretenimento. Muitos pais fazem questão disso, para dar um tempo de paz e tranquilidade para eles, não percebendo que estão aprisionando seus filhos, e a si mesmos numa teia imensa de uma aranha ´perversa que quer e está dominando a todos em uma imensa e perigosa teia.
Prisão não é só cadeia por furtos, por assassinatos, ou qualquer contravenção. As pessoas estão presas de si mesmas, sem perceberem que nem vivendo mais estão, pois a dependência tecnológica está afastando-os de uma vida normal, natural como deveria ser.
Estar preso é estar subjugado, estar à mercê de quem o está dominando. Infelizmente estamos mais presos de nós mesmos, sem cela física alguma. As pessoas obtém, com luta, com trabalho excessivo, com comprometimento e competência tudo aquilo que necessitam. Mas todo esse empenho e desempenho tem uma cobrança com uma forte consequência: a prisão de si mesmo.
Prisão significa isolamento, se abster do convívio social, se afastar de tudo e de todos. E é isso que está acontecendo com as pessoas, sem se darem conta, sem perceberem, achando que estão se dando muito bem na vida. Até quando?
Sei que poderá ser polêmico o que escrevi em alguns pontos, mas minha intenção é abrir os olhos de todos. Sei também, que pouco útil será esse alerta, pois o envolvimento é tão forte que as pessoas vão achar idiota e ridículo o que escrevi. Mas pra mim não é. Vivenciei tudo isso.
Então digo: NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO.
JOSÉ FERNANDO MENDES - 03/12/2025 - 23h24
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